sábado, 5 de setembro de 2020

Meus Brinquedos


 Você consegue lembrar dos seus brinquedos de infância? Tenho certeza de que, pelo menos, alguns deles foram mais marcantes e te fazem lembrar de uma época maravilhosa possivelmente. Enquanto descrevo a seguir alguns dos meus favoritos, talvez você faça o mesmo com as suas lembranças.


Talvez o primeiro do qual me lembre, é um telefone de corpo amarelo e base vermelha, que era muito bonito, tinha um discador funcional, um fio em formato espiral e era de um acrílico bem resistente ainda sim era bem leve. Tenho uma foto com ele de quando eu tinha uns 3 anos e minha irmã era ainda bebê. A partir de então, tive muitos brinquedos, como carrinhos que se moviam por fricção, tive uns dois “Trombada” que eram carrinhos famosos na época por simularem colisões os deformavam e que voltavam ao normal apenas fechando suas portas; lembro também de um avião que simulava decolagem e aterrissagem da extinta aérea norte-americana – PanAm; um ônibus eletrônico que era réplica dos que eram usados no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris; um lindíssimo Mercedes-Benz sedã em escala 1/24 e muitos mais.


Curiosamente nunca tive vídeo-game, por uma razão muito simples, meus pais acreditavam que não era o tipo de brinquedo que fosse boa influência, apesar de vez ou outra, terem me permitido jogar na casa de amigos, jogos de corrida ou de desafios, mas nunca de batalhas ou lutas. Depois de adulto, continuei a gostar do mesmo tipo de ‘game’ e nas raras vezes que uso um jogo no computador, os temas são: simulação de voo e corrida ou desafios como desvendar enigmas e ainda jogos de xadrez. Até hoje não suporto jogos de luta por exemplo. Não entendia, como colegas meus amavam gastar dinheiro em fliperamas, sendo tão viciados que davam socos na máquina, quando perdiam uma ‘luta’. Mesmo com grandes hardwares como Playstation e Xbox atualmente, não me animo com esses tipos de jogos.


O que me faz relembrar essa parte da minha infância hoje, é um tipo de paradoxo que não somente eu mas como qualquer criança que chega a idade adulta, vive.


Nossos brinquedos expressam a vontade de deixarmos logo de ser criança pra ser gente grande. ‘Dirigindo’ nossos carrinhos por estradinhas feitas na terra, ‘pilotando’ nossos aviõezinhos com propulsão manual ou ainda enchendo de água o tanque de casa pra ‘navegar’ com nossos inafundáveis barquinhos ou naviozinhos.


Quando crianças ignoramos as pressões da vida adulta que são o ‘outro lado da brincadeira’ e que somente são conhecidas quando ‘chegamos lá’. Somente então é que o paradoxo que citei aqui, começa a ‘dar as caras’. Olhamos para o passado e pensamos em quão bom seria que nossa única preocupação com o carro, fosse buscá-lo na caixa de brinquedos e não listarmos mentalmente o IPVA, DPVAT, Licenciamento Anual, revisão, manutenção, acidentes, insegurança… Ou ainda, que nossos filhos precisassem apenas de serem guardados naquela mesma caixa, com roupinhas que ‘sujam’ apenas na imaginação das mamães de bonecas com suas mamadeiras de 5 ou 10 ml de água e não precisassem de educação, vestimenta, alimentação, assistência médica e odontológica e a lista segue…


Claro que você entendeu que não estou dizendo, que filhos sejam dispensados desses cuidados. Minha argumentação tem a ver com o paradoxo e não com o amor que temos por nossa prole.


A verdade é que adultos não podem regressar para sua infância mas as crianças irão tornar-se adultas, portanto, pessoas grandes devem fazer tudo o que tiver ao seu alcance para que crianças vivam apenas a sua infância. Sim, com carinhos, bonecas, jogos mas longe da erotização ou vícios dos adultos que não tiveram, por qualquer razão, uma infância saudável.


Não estou afirmando também que a vida adulta seja somente de fardos, aliás, está muitas vezes em nossas mãos, buscar um pouco das nossas raízes em nossos primeiros anos; não poderemos mais entrar em um ‘Delorean’ e voltar para nossa caixa de brinquedos, mas algo daquela época ainda está em nós e sendo assim, podemos relembrar esses momentos e deles tirar alguns bons aprendizados e valores, seguindo então pela vida com mais leveza.

sábado, 29 de agosto de 2020

A carteira


 Perder é sempre ruim, seja uma perda grande ou pequena. Inversamente proporcional é a sensação de encontrar alguma coisa, podendo ser algo que se buscava intensamente ou aquilo que já se tinha dado como perdido. Há ainda aquelas situações nas quais encontramos coisas que não nos pertencem mas também não pertencem a mais ninguém e as somamos aos nossos ganhos ou quando possível a localização do(a) dono(a), podemos ter a satisfação de devolver aquele pertence.


Passamos a vida perdendo coisas e a perda de uma carteira é algo mais do que corriqueiro.


Lembro da vez em que perdi uma carteira quando eu voltava de um compromisso num sábado pela manhã. Na verdade só percebi a perda ao chegar em casa. Na hora aparece um sentimento ruim no meio do peito e em seguida a tensão do que aquela perda vai gerar – no meu caso, perdi algumas centenas de reais e ainda meus documentos como a habilitação para dirigir. Isso representava contas que não seriam pagas e horas perdidas para conseguir novos documentos.


Tentei ainda refazer o caminho no desejo de quem sabe, encontrar essa carteira num canto do caminho, torcendo para que uma pessoa mal intencionada não a encontrasse primeiro mas não tive sucesso.


No dia seguinte, uma viatura policial parou em frente a minha casa e dois agentes da polícia me chamaram pelo nome, o que me causou estranheza, mas ainda sim não associei essa visita inesperada com a perda da minha carteira, no entanto era justamente essa a razão pela qual eles estavam ali. A carteira foi encontrada a cerca de duzentos metros do caminho em que eu havia passado – nela estavam meus documentos mas o dinheiro foi todo roubado. “Gentilmente” eu suponho, deixaram os documentos jogados para que talvez eles chegassem até mim de volta, já que o mais “interessante” já estava ‘ganho’.


Inicialmente fiquei grato aos policiais que me trouxeram a carteira mas logo me preencheu a sensação de revolta ao pensar que o meu dinheiro ganho com trabalho honesto estava sendo desfrutado por uma pessoa oportunista e desonesta. Fui tentado também a supor uma possível desonestidade daqueles agentes, mas o correto é que o primeiro pensamento seja de confiar nos homens da lei.


E aqui reside a minha reflexão: pelo fato de sermos bombardeados por notícias de corrupção no ambiente público, em especial em instituições em que a justiça e a honestidade jamais deveriam ser objeto de questionamento, somos levados a ver com desconfiança muitos agentes públicos, reputando-os como potencialmente desonestos. Ao pensar assim cometemos também possíveis injustiças, pois culpar inocentes também é grave, mesmo que isso seja apenas feito num ambiente privado, pois pode tornar-se hábito para nós culpar quem não merece culpa e então podemos, sem o devido e correto senso crítico, injustiçar pessoas pelo caminho.


Só quando somos alvo de injustiças é que estamos gabaritados a entender quem é vítima delas. E pensar nisso me leva a lembrar aquela conhecida expressão popular: “Não queira para os outros, o que você não quer pra si”.

sábado, 22 de agosto de 2020

Mudar é preciso

Fernando Pessoa, o ilustre poeta português mas tão presente na cultura brasileira, imortalizou na literatura: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Ao dizer isso, Pessoa não desprezava o valor da vida, mas enfatizava que para navegar é necessário planejamento, cálculos, entre tantas outras coisas, porém, na vida nem sempre há precisão, sendo que muitas vezes ela é imprecisa, surpreendente, imprevisível…

Tomo a liberdade a partir daqui, de parafrasear o autor lusitano e digo que “mudar é preciso” não apenas no sentido da necessidade mas também no sentido da exatidão. A vida pressupõe movimento e este por sua vez demanda mudança, seja no tempo, no espaço ou em ambos.

De modo prático, não estar disposto a mudança leva a nossa vida a um ponto inercial e improdutivo. Agarrar-se ao que conhecemos, como que fugindo das mudanças que certamente trazem o desconhecido, um dia nos porá frente a situações nas quais não saberemos como agir.

Recentemente, após muitos anos, mudei de casa, indo morar a milhares de quilômetros em distância. A mudança não foi apenas da região em que morava, mas da vida que eu tinha. Foi uma mudança necessária e muito importante no meu crescimento pessoal e de minha família também. Hoje, eu encaro as mudanças da vida como inevitáveis e transformadoras, nem sempre elas são fáceis mas por serem factíveis na vida, demandam de cada um de nós uma decisão do que fazer quando estamos diante delas: ou nos adaptamos a elas e crescemos num contexto de “360 graus” ou esmorecemos e quedamos silentes, aterrorizados, confusos e talvez até depressivos.

É verdade que é mais fácil falar do que fazer, mas também é verdade que mudanças podem ser oportunidades maravilhosas de fazer a nossa vida tão plena como sequer poderíamos imaginar um dia. 

Dizem que toda viagem (aqui significando mudança) começa com um primeiro passo, e é verdade, mas eu entendo que uma viagem, seja ela de que tamanho for, começa um pouco antes: nasce dentro de nós, em nossa decisão.

domingo, 21 de junho de 2020

A Tartaruga Marinha


Foto: Pixabay

Andando pela areia da orla de Santos, que por sinal estava bem sossegada, vi a uns 30 metros, uma tartaruga marinha daquelas enormes que parecia estar saindo da água naquele momento… Enfiei a mão no bolso pra encontrar o smartphone rápido pra não perder a cena… Só pra me frustrar logo depois e perceber que o último bip que eu tinha ouvido não era sms e sim a bateria dando “adeus”…
Mesmo assim, me animei e corri para, pelo menos, admirar a beleza fantástica daquele animal… Talvez num raio de 100 metros não havia mais ninguém, assim fiquei a vontade pra me aproximar… Percebi que ela tava paradinha com a cabeça erguida e imponente como se estivesse olhando o mundo fora d’água com curiosidade… 
A água quebrava em seu casco continuamente… Só que algo me chamou a atenção… Havia um filete de sangue que saia da lateral da cabeça… Chocante olhar pra ela e perceber então que estava morta, parecia viva, majestosa, linda mas já não havia nada a fazer… Ainda fiquei olhando um tempo pra ela, compadecido da cena… “Que pena” – divagava eu nos meus pensamentos… Ainda triste comecei a me afastar, mas não olhei pra trás até tomar certa distância… Só então quando sua imagem era apenas um ponto distante naquela faixa de areia foi que vi, ávidos urubus começarem a despedaçá-la… Nem preciso dizer que uma bela tarde de descanso e contemplação aos pés do mar, acabou com meu dia… Esse caso parece com a vida que muitos de nós levamos, parecemos vivos, cabeça erguida, olhar altivo mas… Estamos “morrendo na praia”… 

O problema além disso, são os muitos abutres que nos cercam… Talvez em muito dependa de nós, sermos dilacerados ou não, mas vale lembrar que “aves carniceiras” NÃO se alimentam de seres “VIVOS”… Tenha uma vida muito feliz!!!





sábado, 13 de junho de 2020

Os meus sapatos e a política




Pensando cá com os meu botões a respeito da "bendita" política de nosso país (e em quem sempre argumenta que papo de política é assunto chato, engrossando a massa daqueles que tornam-se responsáveis por sua omissão, pela deterioração da nossa democracia), lembro das várias oportunidades em que conversei com autoridades nesse país...

Certa vez fui convidado a uma convenção política em um clube elitista e ao transitar pelos amplos salões do lugar, notava que a maioria dos filiados e políticos importantes, ostentavam-se como se estivessem em uma redoma, alheios a tudo o que acontecia lá fora e o assunto em nenhum momento era o que fazer pelas pessoas nesse país, mas sim o que articular para promover esse ou aquele nome do partido para que fossem eleitos no próximo pleito, confesso que me senti desconfortável com tudo aquilo e embora eu estivesse num ambiente maravilhoso, com uma linda vista para a piscina de borda infinita que, parecia misturar-se ao mar logo em frente, abastecida por uma cascata lindíssima que, fazia uma pequena névoa ao chocar-se com a lâmina d'água e sendo interpelado várias vezes pelos garçons do evento se eu desejava me servir disso ou daquilo, ainda sim senti-me deslocado ali...

Em outra oportunidade, tive uma audiência de trabalho com o prefeito da minha cidade (que mais tarde seria o governador do estado). No corredor de acesso ao gabinete, havia lindos quadros de valores vultosos, móveis finos junto a outros caros vasos. Antes de sentar-me próximo ao prefeito, meus sapatos ‘afundaram’ em um tapete muito macio. Ali entre um assunto e outro ficava lembrando de quantas vezes havia sujado aquele mesmo sapato por não haver asfalto nas ruas que eu precisava usar todos os dias, mas claro que políticos não pisam em lama na maior parte de seus mandatos. Seus filhos não disputam vagas em escolas públicas, suas famílias quando precisam de pronto atendimento em saúde, o fazem no Albert Einstein ou Sírio Libanês, entre outros...

Há um certo alvoroço recente pelas prisões de políticos de alto escalão no país, mas a verdade é que nenhum deles vai receber a punição devida, não ficarão presos por muito tempo. E de quem é a culpa? Minha que não é pois sei o que é votar de forma decente. A culpa é de todo brasileiro retardado que gosta de musiquinha (jingle) de campanha; culpa daquele que acha uma honra um político entrar em sua casa em época eleitoral pra pedir votos e quando vai embora e é eleito continua te deixando literalmente na lama; culpa de quem acha correto os "cafézinhos" para se livrarem de multas e coisas parecidas (gente assim é tão bandida quanto qualquer um desses corruptos) e principalmente, a culpa pela desgraça política nesse país é de quem fala que política é uma m... porque são justamente esses, que fazem m... na hora de votar e deixam o Brasil na m... e a m... respinga em quem NÃO FAZ M...


sábado, 6 de junho de 2020

Meu troco de 5 cents




Certa vez, recebi 5 centavos de troco... até aí nada demais... Incomum foi o fato de ser 5 cents de Euro (talvez pela semelhança com a moedinha brasileira quem a passou pra mim, não percebeu). Na cotação daquele dia deveria valer bem mais que o triplo da sua equivalente em Real... Pra não fugir ao hábito, costumo tirar lições de coisas variadas e muitas vezes das mais simples e óbvias...

Muitas vezes, passamos de "mão em mão" e as pessoas não reconhecem nosso verdadeiro valor... nos veem valer apenas "5 centavos" quando sabemos que valemos muito mais... Mas independente daqueles que não nos valorizam, há algo que nunca vai mudar - nosso VALOR! E se outros não enxergarem isso em nós, a culpa não é nossa e sim deles - CEGOS! Acima de tudo, querendo ou não nossos detratores, SEMPRE VALEREMOS MUITO MAIS e nada mudará este FATO.

sábado, 30 de maio de 2020

O vendaval*



Tempos atrás, no litoral de São Paulo onde nasci, um vendaval causou muitos estragos... Árvores foram arrancadas, carros danificados e entre outras coisas, muitas telhas foram lançadas longe espatifado-se pelo chão. 

A maior parte delas por uma simples razão... Parte dos moradores da região costumavam manter as telhas de suas casas apenas encaixadas ou com algum 'peso' em cima, ignorando assim completamente uma boa fixação por parafusos. 

Quando penso na tolice que essas pessoas cometeram, recebendo o resultado do "barato que saiu caro", lembro que fazemos muitas vezes coisas parecidas a essa em outros aspectos da vida. 

Não estamos, quem sabe, "parafusados" em algo sólido na nossa caminhada, quando de repente, somos surpreendidos pelos "vendavais", jogados ao chão, quebrados, feitos aos pedaços, humilhados, sem valor... Apenas para depois termos os "cacos" recolhidos e descartados como se nunca houvéssemos sido úteis, como se nada fôssemos... 

Por isso penso que, se quero ter algum valor, se quero ser útil, se quero ser alguém, para eu mesmo e para outros, então é melhor que eu saiba onde estou FIRMADO, para que eu saiba QUEM SOU e PARA ONDE VOU!!!



*Escrito originalmente em 07 de setembro de 2013


Uma história contada por meu pai

  Acho interessante quando, mesmo em meio a era da internet de alta velocidade, com todas as inovações por ela trazidas, pais ainda contam ...