domingo, 24 de maio de 2020

Chave perdida*

Há alguns anos, precisei resolver uma série de compromissos no centro de Santos. Voltando ao estacionamento onde havia deixado minha moto percebi, para a minha agonia, que não encontrava a chave. Procurei em todos os bolsos, em meus documentos, pasta, e nada... Então fiz o que todo mundo faz numa hora assim... Refiz o caminho, olhando para o chão como quem quisesse não deixar escapar um trecho ou centímetro sem ver, por não olhar com atenção para carros e pedestres, esbarrei várias vezes nos outros e fui quase atropelado uma dezena de vezes... Então voltei frustrado por não ter tido sucesso, andando devagar e desanimado imaginando a dificuldade que seria ir atrás de um chaveiro, comprovar que a moto era a minha, explicar pro gerente do estacionamento... etc, etc... Até que numa tentativa incrédula, perguntei a um dono de banca, na Praça da República,
(foto: Carlos Pimentel Mendes, em 6 de junho de 2007)

 se ele havia visto alguém encontrar uma chave como a minha... Já estava preparado para ouvir NÃO, quando ouvi um SIM (e olha que eu nem ia perguntar nada, ia passar direto)... Aquele homem então me disse: "Agora há pouco vi dois pedintes que guardam carros aqui na praça que disseram ter encontrado uma chave... Mas acho que saíram e voltam daqui a pouco"... Então resolvi esperar... Agora com um "fiapinho" de esperança... Passados alguns minutos, o homem me disse: "São eles"... corri até o tal pedinte (de mal aspecto todo maltrapilho) e perguntei: "Amigo perdi a chave da minha moto, e alguém me disse que você e seu amigo, talvez tenham achado uma???"... E aí o homem desfez a cara carrancuda e me disse... 'Sim guardei-a ali...' E me chamou até uma das tantas árvores que existem na praça e cuidadosamente guardada, lá estava ela... Que alívio!!! E ele me surpreendeu dizendo: "Deus me disse pra guardar a chave"... Grato, perguntei: Vocês almoçaram? E eles disseram: 'Não temos dinheiro'... Não pensei nenhum segundo e saquei uma quantidade razoável de dinheiro que nem sequer contei e entreguei a eles (era suficiente para entrarem num dos bons restaurantes da cidade e comerem muito bem)... Aí veio o chocante... Um deles ajoelhou-se aos meus pés (mas eu pedi que ele não fizesse isso, mas nem me ouviu) e agradeceu pelo dinheiro me dando um abraço forte e demorado e pediu pro outro amigo me abraçar também... Na verdade, eu estava tão feliz quanto eles... mas já não era mais pelas chaves... estava feliz por ter sido útil, por ter feito diferença pra aquelas pessoas... Na verdade, Deus pode usar as situações mais adversas para nos ensinar algo... Reafirmei naquele dia em mim, algo que acredito como fundamental.. "Nós não somos 'ilhas' somos na realidade e no mínimo - 'penínsulas', parte de algo muito maior, dependentes do 'continente'... Posso dizer a você que algo aparentemente tão simples assim (alguém encontrar uma chave e devolvê-la), foi uma das 'melhores perdas' da minha vida... Foi o dia em que perdi pouco e em troca ganhei MUITO"...

Escrito originalmente em 31 de agosto de 2013

domingo, 17 de maio de 2020

Placa fria*

Há alguns anos estive em um edifício lindíssimo!




Dentro dele há um complexo com lagos, cisnes, lindas carpas e até

um museu com carros de luxo do século passado, há também lindos animais que percorrem a área verde
e num dia lindo de sol, no alto do décimo andar, meu pai e eu olhávamos extasiados a bonita Santos e o lindo azul do oceano atlântico...

Caso você não conheça o local, seria difícil acreditar na minha afirmação de que estávamos no cemitério mais alto e num dos mais luxuosos do mundo.
Enquanto sepultava mais uma pessoa da minha família notei que os funcionários retiravam um saco azul que continha os restos mortais de um primo que para uma inevitável auto reflexão, quando vivo era muito parecido comigo (embora 5 anos mais jovem) que falecera em razão de uma tragédia, amplamente divulgada pela imprensa na época... Ai fiquei pensando enquanto olhava a cena e as outras lápides ao redor: "a gente corre, luta, chora, sorri.... sejamos quem formos ou tenhamos o que tivermos... Não importa se num cemitério de luxo ou numa cova rasa... Todos temos um limite, que nos iguala... Somos irmãos e humanos, na vida e na morte... Devemos ter em mente que antes de virarmos apenas um nome numa placa fria, podemos viver de modo pleno e digno, tornando a vida o que ela realmente é: Linda!!!"


*Escrito originalmente em 24 de agosto de 2013

sábado, 9 de maio de 2020

Desvio de rota



Eu estudava longe de casa e de segunda a sexta-feira eu fazia um percurso de cento e quarenta quilômetros.
Certo dia, deixei de ir em ônibus e preferi fazer o caminho de moto que era mais rápido e mais prático. Verifiquei tudo e parti em direção a Rodovia dos Imigrantes, caminho já conhecido pro mim. Cheguei para a aula sem problemas e ao fim de uma tarde muito produtiva de estudos, observei na saída do edifício que durante o tempo passado lá dentro, uma tempestade se formava rápida e turbulenta.
Eu não havia me preparado pra isso, tanto que não havia levado roupa protetora de chuva, mas confiava que antes que o temporal me atingisse, eu chegaria a tempo em casa.

Saí do estacionamento em direção ao centro da cidade e logo me deparei com os semáforos que pareciam mais demorados do que o costume. Acessei a Rodovia Anchieta com a intenção de me livrar rápido de seu intenso tráfego de caminhões que seguiam, em sua maioria para o porto de Santos e então, aliviado, peguei o acesso que me levaria a Imigrantes, que por sua vez me levaria rapidamente pra casa.
Como era fim de tarde, o clarão vespertino de repente havia se apagado e uma chuva fina me alcançou. Com pressa de não molhar-me mais, acelerei próximo do limite da rodovia mas o bom senso pela pista estar molhada me chamou a razão e desacelerei. Já aceitava como certo o “caldo” que levaria, sendo que instantes depois meu problema seria outro.

Enquanto divagava sobre a chateação que aquela chuva me causava, sem perceber, peguei um acesso que seguia para o interior do estado, que me afastava cada vez mais do meu destino. Depois de alguns minutos ao notar algo errado, liguei o GPS que eu tinha acoplado no painel e então vi o quanto eu já distava da minha rota original e o pior é que o retorno mais próximo ficava a dezenas de quilômetros e eu não tinha combustível suficiente para tanto. Minha tranquilidade virou uma enorme apreensão, enquanto a tempestade caía, o combustível se esvaía, carretas enormes passavam a toda velocidade por mim e eu já me imaginava no mínimo, passando a madrugada na estrada, sem poder ligar o celular embaixo de chuva e no máximo, morto embaixo daqueles eixos enormes.
Mas então resolvi parar no acostamento, me acalmar, e então calcular o que poderia fazer. Decidi buscar no mapa eletrônico, minha posição real e buscar mais rotas possíveis e um caminho alternativo apareceu na tela. Para minha grata satisfação, calculei que o que eu tinha de combustível era possível chegar a uma cidade que certamente teria um posto de combustível, que me resolveria a vida naquele momento. E assim eu fiz.
Imagine a alegria de encontrar um posto e ver a pessoa “mais linda do mundo”, motivo do meu sorriso: um frentista que eu nunca havia visto na vida!

Uma vez abastecido, segui de volta pra casa e a chuva já não me incomodava, nem o frio, nem a escuridão, nem o tempo perdido. O alívio de voltar em paz tornara todos os outros desconfortos em nada.
Daquele momento aprendi coisa para o tempo presente: aprendi que costumamos pegar estradas conhecidas na vida mas essa mesma estrada pode ser perdida, a depender do fator tempo, clima; aprendi que o desespero vem, mas que saídas também existem, muitas vezes não são as desejadas mas nem por isso deixam de ser saídas; aprendi que calma em meio ao desespero é possível embora muitas vezes nos pareçam impossível, mas ela funciona apenas se for solidificada em tempo de céu azul e vento fresco no rosto; aprendi que nem sempre o que eu sei funciona e que é necessário consultar um “GPS” pra acertar a rota; aprendi que a mesma chuva que faz crescer o alimento pra vida, pode causar morte quando estamos expostos a toda força por ela produzida; aprendi também que infelizmente, somos afligidos por circunstâncias que pareciam nunca mais tornar a repetir-se mas que vem sem aviso ou atenuações. Também foi possível aprender que mesmo que sejamos expostos a sofrimentos muitas vezes excruciantes, ainda sim, apesar deles, é possível encontrar um novo motivo para caminhar. 
Vai doer, vai ferir mas pode acreditar, a felicidade vai aparecer.
 Vai!

sábado, 2 de maio de 2020

Tanque seco



Em Maio de 2018 o Brasil viveu um período conturbado entre os dias 21 e 30 daquele mês, durante o governo do presidente Michel Temer.

O estopim para a greve de caminhoneiros autônomos (Crise do diesel), foram os reajustes frequentes e sem previsibilidade mínima nos preços dos combustíveis, principalmente do óleo diesel, realizados pela estatal Petrobras com frequência diária, pelo fim da cobrança de pedágio por eixo suspenso e pelo fim do PIS/Confins sobre o diesel.

Milhões de brasileiros, entre eles eu, desconheciam os detalhes geradores da crise, mas a sentiam na prática.

Em postos de combustível no Brasil, abastecer é até mais confortável do que nos Estados Unidos, onde para abastecer você precisa descer do carro, inserir o seu cartão de crédito, desengatar o injetor e abastecer. Já em nosso país, não temos a cultura do autoatendimento e contamos com o serviço de funcionários para isso, bastando entregar a chave, pagar e seguir viagem sem sair do conforto do banco. Algo rotineiro assim virou ‘passado’ na crise, e passamos a enfrentar filas enormes para abastecer, ou deixar o carro na garagem para usar o transporte publico, aulas foram suspensas, empresas fechadas, milhões de animais morreram por falta de ração, supermercados beiravam o vermelho no estoque, enfim, o caos parecia estabelecido.

Os nove dias de tumulto pareceram muitas semanas, em função dos transtornos causados, mas lembro que ao fim daquele período, o simples exercício de olhar para o odômetro, concluir a necessidade de combustível, escolher um posto, entrar e ter à espera o prestativo trabalho de um colaborador local, me traziam o alívio de ter de volta aquele serviço tão essencial e básico de nossa rotina.

Nosso olhar também foi voltado em especial para o caminhoneiro, trabalhador que quase literalmente leva o Brasil sobre seus eixos, sem o qual a nação para.

As coisas que nos cercam não são perenes, é preciso dar valor a todas as pessoas que desempenham as mais diferentes atividades e que nos possibilitam, pelos recursos que produzem e pelo serviço que prestam, conviver em sociedade.

sábado, 25 de abril de 2020

"Outrem ou ou-trem?"



Se há algo que nos tira o chão dos pés e nos deixa com cara de paisagem, é quando um momento desconcertante derruba uma certeza que temos.

Durante alguns anos apresentei um programa de rádio, sendo que há muitos anos também, mais precisamente desde a infância, falar com desenvoltura para públicos diversos e com raríssimos erros em língua portuguesa, era comum e habitual para mim.

Ao optar por uma carreira profissional, escolhi jornalismo como uma carreira aparentemente óbvia. Com alguns dias de atraso, cheguei em minha primeira aula. Era fascinante, meu sentimento era de estar no lugar certo, sentia-me confortável, feliz e confiante na escolha que eu havia feito.

Em pouco tempo, fui convidado a apresentar um evento dentro da universidade que fazia parte de nossa grade curricular e senti uma alegria indescritível quando fui reconhecido no encerramento do projeto, como destaque entre os estudantes de comunicação da instituição, por haver desempenhado com êxito o que tinha sido proposto. Um auditório repleto de estudantes e professores, alguns doutores em suas áreas, ficaram de pé e me aplaudiram demoradamente. Para um calouro aquilo era uma espécie de estadia no Olimpo.

Se eu parasse o texto aqui talvez você pensasse que a minha estadia no ‘panteão’ foi livre de percalços... bem... não foi.

No período de produção do projeto mencionado, eu tinha que apresentar um programa de rádio ao vivo com uma colega de bancada. Cheguei com uma autoconfiança de aspecto inabalável por aquela experiência em rádio que mencionei no início deste texto. Eu achava que sabia fazer aquilo, até o momento que meu professor me provou o contrário, apontando erros que eu não enxergava em minha atuação. Lembro que fui da euforia ao sentimento de estranheza, pois para mim, era habitual ouvir que eu era bom no que fazia. Não que eu tenha sido desestimulado por meu professor, um grande jornalista, mas porque ele apontou o que eu parecia não querer enxergar.

Em outro momento, numa aula de língua portuguesa, minha professora pediu para que eu fizesse a leitura de um texto clássico. A narração transcorria muito bem até tropeçar numa palavra simples mas que não fazia parte do meu vocabulário cotidiano: ‘outrem’ saiu com uma pronúncia quebrada, algo como ‘ou-trem’ e essa única palavrinha parecia ter derrubado a leitura promissora que até então eu fazia. Antes que minha professora me corrigisse, uma colega que hoje apresenta um programa numa grande emissora de TV, apressou-se na correção com um divertido sorriso.

Situações curiosas e até comuns como essas tem me feito lembrar ao longo do tempo, que nós devemos caminhar sempre sedentos de conhecimento, tendo a humildade como companheira e entendendo que há múltiplos modais de conhecimento. Admiro homens e mulheres que embora sejam reconhecidos como experts em suas áreas de conhecimento, entendem que há prazer em dividir conhecimento e não em estocá-lo.

Houve um tempo em que eu não entendia que, más experiências podem ser grandes fontes de aprendizado, hoje porém, procuro extrair o máximo de todas as situações vividas, para que o tropeço, quando inevitável, se dê em outras pedras... não as mesmas.

sábado, 18 de abril de 2020

Prazer e dor à mesa



Era 2001, quando num período de carnaval, viajei com um grande grupo de amigos ao Vale do Ribeira em São Paulo, região que faz divisa com o Paraná. Participávamos de um retiro da folia, em meio a uma natureza exuberante na cidade de Sete Barras. Naquela pequena comunidade, era habitual ver os moradores em seu cotidiano: homens ostentando chapéu de palha e conduzindo seus cavalos, donas de casa “janeleando”, crianças correndo molhadas de um refrescante e divertido banho de rio.

Lembro das coisas que fizeram daquele lugar, um bom motivo pra voltar mesmo depois de tantos anos: iogurte caseiro feito com leite da fazenda, em nada comparado com o que se compra em supermercados, céu limpo de poluição permitindo uma nítida imagem da Via láctea com um número incrível de estrelas, impossíveis de ver na região metropolitana em que nasci, o frescor das doces e frescas águas de rio tão desfrutadas por aquelas crianças serelepes, o cheiro de mato e ar limpo, o silêncio noturno quebrado apenas ocasionalmente pelo ruído de alguns poucos carros e a cadência da marcha de cavalos e seus cascos ao solo.

Mas na vida, nada parece fugir ao fato de que tudo tem dois lados e naquele sossego de interior, após andar por trilhas que margeavam um belo e caudaloso rio, fiquei frente a uma cena de horror, que embora seja comum na cadeia alimentar humana e no dia a dia de homens do campo, me causou profunda tristeza, repulsa e senso de impotência. Com as patas amarradas por grossas cordas e um olhar de horror, um novilho era mortalmente golpeado por uma faca imensa e afiada, debatendo-se e tremendo em uma imensa poça de sangue. O assassino, sim, assassino não há outro nome, parecia se divertir junto a outro grupo de companheiros, com o único objetivo de que o animal morresse logo para que eles obtivessem o que queriam, e olharam a mim e a meus amigos que naturalmente se assustaram com a cena, como se fossemos fracos e eles fortes pela consumação daquela horrenda tarefa.

Hoje essa prática ainda é comum pelo mundo afora, mas é pequena, comparada a grande indústria agropecuária, que autoproclama um abate rápido para o gado de corte, uma alardeada “humanidade” para com os deliciosos e rentáveis animais de seus rebanhos. Sabemos que há muita propaganda e nem sempre grande efetividade no que se diz por parte desses grandes industriais.

O fato é que nos banqueteamos com o cadáver de animais, dos mais diferentes portes e raças sob o pretexto de que o corpo humano depende, desse tipo de alimentação. Não vou entrar na discussão do certo e errado, e sim na reflexão que me permite este blog e a livre escrita que materializa ideias e opiniões.

Não sou vegetariano, mas por muito tempo adotei o vegetarianismo e confesso admirar essa forma de viver e comer. A sensação de corpo limpo de impurezas e vitalidade, são notórias, ao contrário do que pensam muitas pessoas que pensam que vegetarianos come apenas ‘mato’. Não sinto falta de carne de nenhuma espécie, embora ocasionalmente apareça no cardápio.

O presente texto, visa apenas uma reflexão, longe de pretender moralizar o discurso ou incomodar a você meu caro leitor, fala-se aqui apenas da forma como observo a pauta em questão.

Penso que nenhum prazer à mesa justifica a dor de uma vida inocente. Minhas resoluções nesse sentido, seguem em curso.

sábado, 11 de abril de 2020



Navio na neblina




Era o começo da década de 1990, minha família e eu estávamos voltando da visita que fizemos, em um certo dia, a uma tia minha. Morávamos em Guarujá e vindos de São Vicente, precisávamos navegar em uma barca que fazia a travessia do canal do estuário entre uma ilha e outra.

A travessia era costumeira, sendo feita ainda hoje, da mesma forma que há 30 anos. Mas algo habitual e rápido como esse percurso, tornou-se uma aventura tensa e perigosa, trazendo-nos momentos angustiantes.

A noite era nublada, mas não esperávamos uma repentina e intensa cerração, que desceu como uma imensa e pesada cortina a frente da embarcação, obrigando o comandante a parar a navegação. Com o desligar dos motores, a ventania balançava a barca, fazendo com que uma certa quantidade de água invadisse o primeiro piso, eu conseguia sentir os meus batimentos cardíacos resultantes do medo daquele momento. Havia o temor de que uma colisão com outra embarcação pudesse acontecer.

Alguns instantes depois, o receio parecia se materializar e assustadoramente um navio atracado ao cais, apareceu bem a nossa frente, fazendo com que o desastre parecesse inevitável. A ventania tinha tirado a nossa embarcação da rota correta e nos levado em direção a um imenso cargueiro transcontinental. Sentimos, para o nosso alívio e das dezenas de pessoas que estavam conosco, o ronco dos motores que com perícia e agilidade, foram acionados pelo comandante a tempo de nos desviar do impacto que parecia certo.

Não muito tempo depois, a neblina cedeu e pudemos então chegar ao nosso destino.

Que alívio sentimos ao pisar em terra firme, embora a memória daqueles instantes parecessem não se dissipar como a neblina que nos causou pânico.

Desse acontecimento fiz uma analogia com outras circunstâncias da vida: em nossa trajetória temos sempre a ideia de que decidiremos ir de um lugar a outro, de uma situação a outra, de uma decisão a outra, sem ponderar a ocorrência de possíveis intempéries. Quando estas aparecem, o medo parece ser a única coisa possível pois o otimismo parece não existir quando o fatal parece assumir o lugar do vital.

É bem verdade que muitas tempestades e densas neblinas, abatem e levam a pique muitas embarcações, mas nem sempre será a nossa. Sendo assim, voltar a navegar pode não ser das coisas mais fáceis a se fazer, mas é possível, porque só assim é possível chegar ao outro lado.

Uma história contada por meu pai

  Acho interessante quando, mesmo em meio a era da internet de alta velocidade, com todas as inovações por ela trazidas, pais ainda contam ...